Publicado em : 26 de maio de 2013

Na despedida de Neymar, Santos fica no 0 a 0 contra o Flamengo

A estreia de Flamengo e Santos no Campeonato Brasileiro de 2013 ficou em segundo plano. Todos os olhos no estádio Mané Garrincha, em Brasília, estavam voltados para um jogador, fosse para torcer por mais um espetáculo em sua despedida ou para que a festa do adeus acabasse frustrada. Neymar encerrou o suspense na noite de sábado ao anunciar em redes sociais que jogará no Barcelona. Mas não mostrou, neste domingo, o motivo de estar sendo disputado pelos dois gigantes espanhois. Em vez da estrela, apagada nesta tarde, um placar sem brilho: 0 a 0, no qual o astro foi o goleiro Rafael. O atacante diz até breve, pois ainda participará de dois amistosos entre brasileiros e catalães como parte do pagamento por sua transferência, além da Copa das Confederações que começa dia 15 de junho no Brasil.

2013-05-26t201800z_617474673_gm1e95r0bwb01_rtrmadp_3_brazil-neymar_1Na próxima rodada, o Santos, já sem Neymar, enfrenta o Botafogo no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. O Flamengo pega a Ponte Preta em Juiz de Fora. Ambos os jogos serão na próxima quarta-feira. Fora do estádio, antes da partida, filas. Torcedores aguardaram pelo menos 50 minutos para entrar no Mané Garrincha – que ainda tinha muitos lugares vazios no momento da entrada dos times. Depois, os espaços foram preenchidos.

Após a partida, Neymar mostrou carinho com a torcida do Santos e falou sobre os novos companheiros de equipe.

- É uma grande satisfação, uma grande honra, ter passado por esse time maravilhoso que é o Santos. Jogar com Messi, Xavi, Iniesta, Dani Alves, será uma honra muito grande. Ele (Dani Alves) foi o cara que mais me encheu o saco, no bom sentido, claro. A torcida do Santos é a que sempre torceu de verdade para mim. Só tenho a agradecer e dizer até logo – disse Neymar ao deixar o gramado.

Leonardo Moura saiu lamentando o empate, pois enxergou o Flamengo melhor no jogo:

- Quantas ooportunidades nós perdemos… Agora é trabalhar para o próximo jogo que temos condições de vencer.

Neymar enxuga as lágrimas após o hino nacional no Mané Garrincha

Neymar enxuga as lágrimas após o hino nacional no Mané Garrincha

Ao furar o planejamento para que o anúncio do seu destino acontecesse após a partida deste domingo, Neymar se rendeu à ansiedade de quem realiza um sonho de infância. Abriu mão de cifrões e mostrou que a paixão ainda tem força frente ao profissionalismo. E foi assim, com paixão, que entrou em campo contra o Flamengo. A maior revelação do futebol brasileiro nos últimos anos extrapola a rivalidade clubística, suas cores são verde, amarelo, azul e branco. E Neymar chorou ao ouvir o hino nacional.

Do outro lado, contudo, não havia uma estrela à altura. Um astro capaz de gerar de remeter ao time de 2011, que tinha Ronaldinho Gaúcho como camisa 10. O craque que ficou fora da Copa das Confederações, hoje no Atlético-MG, protagonizou, ao lado de Neymar, na Vila Belmiro, pela 12ª rodada do Brasileiro daquele ano, um duelo genial que terminou em 5 a 4 para os rubro-negros. Sem par entre os adversários para desafiá-lo, e diante de uma marcação eficiente, Neymar também não teve uma atuação à altura daquela partida.

Não faltou festa, mas também não poderia faltar provocação. Com maioria rubro-negra no Mané Garrincha, Neymar foi obrigado a provar que aguenta pressão. Desde um cartaz com sua namorada, a atriz Bruna Marquezine, de biquini do Flamengo – ela é torcedora do clube carioca -, às vaias de parte dos torcedores em qualquer tentativa de jogada sem sucesso, a esperança dos flamenguistas era desestabilizar o novo craque do Barcelona, que não pareceu se incomodar, mas também não produziu a ponto de calar a arquibancada.

O Santos mostrou maior ímpeto ofensivo nos minutos iniciais. Neymar era tão marcado que perdeu bola até para Rafinha. Mas o Flamengo logo acordou e o jogo deu sinais de que seria lá e cá. O toque de bola santista não funcionava a contento e fora lances com pouca chance de êxito, como a batida de Arouca aos oito minutos, o time pouco incomodava a defesa rubro-negra. O Flamengo, por sua vez, só parou nas mãos de Rafael. Aos 11, Gabriel fez boa jogada pela direita e cruzou para Rafinha, livre, completar. O goleiro santista fez grande defesa e salvou a equipe.

O lance empolgou o time da Gávea, que passou a assumir o controle das ações. Pouco depois, foi de Gabriel a chance de abrir o placar. Acabou travado por Edu Dracena. O primeiro lampejo de Neymar foi aos 19, quando o Flamengo teve um momento de desatenção e ele sobrou no mano a mano com Luiz Antônio, passou, se aproximou da área e buscou o ângulo, mas não teve precisão. O jogo ficou morno, com o Flamengo tentando atrair o Santos para partir em contra-ataque, mas esbarrando na cautela dos paulistas ao avançar.

Sem espaço, Neymar a essa altura já recuava demais para buscar jogo e pouco incomodava a defesa rubro-negra. O Flamengo quase conseguia ameaçar, pecando muitas vezes no último passe. Aos , falta de Dracena em Gabriel no bico direito da área. Renato bateu mal. Em seguida, um princípio de confusão, com Neymar se estranhando com González. O próprio santista tratou de acalmar os ânimos com outros jogadores entrando na discussão.

O fim do jogo, contudou, pegou fogo e o Flamengo teve tudo para sair na frente. Aos 41, Gabriel, o mais abusado do ataque, tentou pedalar e bater para o gol com três defensores à sua frente. Perdeu. Um minuto depois, Hernane recebeu sozinho, cara a cara com Rafael. Preferiu o passe e entregou para Gabriel, que acabou perdendo para Galhardo e desperdiçando o que parecia um gol feito. Renato Abreu não segurou a bronca. Luiz Antônio ainda perderia mais uma boa jogada na sequência. Era a deixa para o apito.

No intervalo, Neymar falou sobre as lágrimas ao ouvir o hino:

- Emoção muito grande, mas isso só antes do jogo. Quando a bola rola, quero vencer, quero jogar – disse.

Elias, do Flamengo, viu o time melhor do que o rival no primeiro tempo, mas alertou:

- A equipe foi bem, mas tem de fazer o gol. A gente tem de estragar essa festa dele e sair com os três pontos que são importantes.

A etapa final começou em ritmo mais veloz, e com estreia no ataque rubro-negro. Jorginho sacou Hernane, que deixou o gramado sem chutar a gol, e lançou o boliviano Marcelo Moreno. Muricy Ramalho não fez alterações no intervalo. O primeiro lance de perigo foi aos quatro minutos. Elias, fazendo boa partida, arriscou de longe e levou perigo. Neymar por pouco não teve sua chance aos seis minutos, na jogada de Henrique pela esquerda que Felipe conseguiu cortar antes que a bola chegasse aos pés do atacante santista, na pequena área. Três minutos depois o Santos de novo ameaçou, mas a confusão na área rubro-negra terminou em bom corte da zaga.

Moreno teve sua primeira chance em bom passe de Ramon. Mandou para a rede, mas foi marcado impedimento corretamente. A marcação sobre Neymar continuava firme: neste ponto da partida, ele havia recebido sete das 12 faltas cometidas pelo Flamengo – mais do que o dobro de Rafinha e Gabriel, os rubro-negros que mais faltas recebidas até então, com três cada. Muricy então também mudou o seu ataque: sacou Henrique e lançou Gabigol, de 16 anos, curiosamente a mesma idade em que Neymar estreou entre os profissionais. Mas foi o Flamengo de novo quem teve chance de abrir o placar aos 25 minutos. Elias deu ótimo passe para Gabriel que tentou encobrir Rafael. Durval cortou quase em cima da linha.
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Jorginho chamou então Carlos Eduardo, que perdeu a camisa 10 para Gabriel, para o lugar de Luiz Antônio, com Elias passando a atuar como primeiro volante e Renato Abreu como segundo. Aos 32, a boa tabela em velocidade de Moreno e Rafinha, que tocou nas costas de Galhardo. O boliviano arrematou com força, mas Rafael estava bem posicionado. Logo depois foi a vez de Carlos Eduardo, praticamente com o gol vazio, finalizar por cima, desperdiçando mais uma ótima chance para os cariocas. O técnico tirou Gabriel e lançou o também estreante Paulinho no ataque. Nada que mudasse o panorama e o resultado. Na despedida do maior craque que surgiu no Brasil nos últimos anos, um placar triste como a notícia de seu adeus ao país do futebol. A camisa do segundo tempo da despedida ficou com o zagueiro Renato Santos.

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